Pequenos e médios empresários enganados por “movimentos” online

Desde de 2013, quando o “Gigante Acordou”, movimentos sociais, empresariais e de produção dos mais diversos setores do País começaram, aos poucos, a se desfragmentarem e se dividirem. Passou-se, então, de uma indignação geral e coletiva da sociedade para um briga constante entre dois lados: direita X esquerda.

HISTÓRICO DA GUERRA DA INFORMAÇÃO

O dia 16 de junho de 2013 entrou para a história do Brasil, enquanto o mundo estava de olhos voltados para o que acontecia no País. As pessoas estavam nas ruas, juntas, contra um único inimigo: o Governo e a opressão policial.

Leia-se o governo em todos os sentidos: Nacional, Estadual, Municipal, poderes do executivo, legislativo e judiciário. Os funcionários dos 1%. A população já estava de saco cheio de tudo que via. E nunca ouve uma indignação coletiva tão grande como a do dia 16 de junho de 2013.

Por que aconteceu essa indignação toda?

A violência e conduta da polícia militar imposta aos estudantes, jornalistas e pessoas que protestavam pelo passe livre (incluindo pessoas inocentes que andavam nas ruas), mecheram com o país.

O Governador do Estado, Geraldo Alckmin, em viagem internacional com o vice Michel Temer e o prefeito Fernando Haddad, chamou os manifestantes de vândalos e baderneiros, em 12/06/2013. No dia seguinte, apareceram vídeos, no YouTube e Facebook, que mostravam policiais quebrando o vidro da própria viatura (repare na data “São Paulo 13/6/2013“) para forjar o vândalismo por parte dos manifestantes, justificando um “contra-ataque” contra a população.

Uma jornalista da Folha da Folha de S.Paulo que fazia cobertura das manifestações foi atingida no olho por uma bala de borracha (“13/6/2013”). Uma professora que caminhava pela rua foi atingida na mandíbula também por bala de borracha (data do vídeo de 17/6/2013).

Esses casos e diversos outros de gás de pimenta, empurrões e prisões sem motivo, foram o estopim para a indignação geral do povo dar início a um grande movimento nunca visto antes.

Além das fotos e vídeos de jornalistas e inocentes feridos, o twitter bombando com a hashtag #ogiganteacordou, aconteceu um ataque hacker no Twitter da revista Veja e Instagram da Dilma Rousseff (18/6/2013) . Foi o suficiente pra todo mundo “se sentir chamado” e fazer parte daquele movimento “contra eles”.

Eventos criados por jovens no Facebook, convocando para manifestações locais, em centenas de cidades pelo País, surgiram dia após dia. E a adesão da população era cada vez maior.

Um dos policiais, talvez impactado por todas estes fatos expostos pelas mídias sociais e sentimento geral da população, decidiu desobedecer uma ordem do comandante e foi mandado embora da operação (19 de junho de 2013).

É como se um soldado, pela sua honra, deixasse de lutar pelo castelo para lutar pelos interesses de seu povo – no caso, a população (incluindo ele mesmo).

VELHA ESTRATÉGIA MIDIÁTICA

A grande mídia que, ignorando todos estes fatos, tratava os manifestantes como “vândalos” (como disse o Governador Geraldo Alckimn para a Globo), enquanto milhões estavam nas ruas, a Globo exibia sua novela das oito e a Rocord, pelo Cidade Alerta, foi a primeira emissora a transmitir, do alto, as manifestações. Tudo isso 2 dias depois de ganhar grandes proporções.

No período, 2.608 pessoas foram presas, 117 jornalistas foram feridos ou agredidos de acordo com a ONG Artgo 19.

Diversas pessoas tomaram a decisão de – muitas pela primeira vez na vida – apoiar uma manifestação. Era um sentimento em comum: o povo contra o Estado.

Naquela época não se falava tanto em direita X esquerda. Eram dias onde ficava bem claro, para todos os brasileiros, quem era o inimigo em comum. Pessoas saíam mais cedo do trabalho para participar da manifestação, em solidariedade aos feridos pela polícia.

Indiferente de ideologia política, crenças ou classes sociais, todos ali sabiam quem eram os verdadeiros inimigos: os 1%.

Em poucos dias, já se viam bandeiras de partidos políticos se infiltrando nas manifestações, black blocks que até hoje não ficaram bem claros de onde vieram e movimentos partidários que se despreendiam em grupos na multidão.

Ambos: Governo Federal e Estaduais, falharam em 2013, ao tentar esconder as suas maracutaias, usando as velhas táticas da grande mídia para controlar a população e blindá-los de seus esquemas.

As pessoas começaram a discutir leis e logo se deram conta da proposta que tentava limitar o poder de investigação do Ministério Público. A PEC 37 virou um dos principais alvos das manifestações de rua pelo país por volta de 25 de junho de 2013.

Cartazes contra a pec 37 – Google Imagens

Foi quando, no meio do caos e perca de foco, eles (os 1%) entraram com a inteligência política dentro da internet, travestida de povo para “domar” o gigante que havia acordado.

Grupos foram se formando, alguns com movimentos autênticos, do povo, e outros – com mais suporte financeiro – foram financiados por organizações ligadas ao governo (leia-se, Federal e Estadual – PT e PSDB).

CUT, MST, VemPraRua, Revoltados Online, MBL são exemplos de “movimentos” que se perderam no meio do caminho por aceitar dinheiro de partidos políticos, levando as pessoas a apoiarem seus interesses individuais para sempre mantê-los no poder.

De lá pra cá, depois de 4 anos, estes movimentos ganharam força e se apoiaram em sites de notícias falsas para controlar a opinião pública. Só que desta vez, em um grande esquema muito organizado e com dinheiro, orquestrado em conjunto com a já tradicional grande mídia.

Qual o interesse dos 1% nisso tudo?

Resposta: dinheiro.

Não importa que seja um governo de direita ou esquerda, com ou sem militares. Os poderosos sempre estarão no poder enquanto controlarem as liberdades individuais de cada um ao manipular informações, como fazem agora pela internet.

Enganam, inclusive, pequenos, médios e grandes empresários brasileiros. Por acharem que fazem parte da “casta” empresarial, votam em políticos que beneficiam apenas os grandes bilionários (que se comparados com a maioria, são pocuos), dificultando a competitividade, a inovação e o crescimento sustentável do mercado interno.

Quem são eles?

“Eles” não são os políticos. Os políticos servem de marionetes para todo este circo.

Aqueles que deveriam ser representantes do povo, representam os interesses de bilionários (leia-se BI, DE BILHÕES) que usam os políticos como porta de entrada para exploração de riquezas do nosso País.

Eles não pagam impostos, saem impunes em casos como o das barragens de Mariana, MG, usam as nossas ferrovias, os nossos portos, aeroportos, helipontos, e agora investem para que grupos online tomem conta do sentimento da população em relação ao que acontece na política, enquanto eles deitam e rolam em nossas terras.

Lama das barragens em Mariana (MG) – Gabriel Lordello/Mosaico Imagem

O 99% surgiu com a ideia de ressuscitar aquele sentimento do povo a favor do povo, para que realmente nos unemos, de forma democratica, organizada e distribuída, contra o nosso inimigo em comum: os 1%.

Não têm problema algum ser rico, desde que não interfira na segurança e no bem-estar dos outros 99%.

Os números de 2014, declarados pelos contribuintes à RFB em 2015, mostram que o 0,1% mais rico da população brasileira, ou 27 mil pessoas (!) num universo de 27 milhões de declarantes do IRPF, afirmaram possuir R$ 44,4 bilhões em rendimento bruto tributável e R$ 159,7 bilhões em rendimento total bruto.

27 mil pessoas em um Brasil que possui mais de 207 milhões de habitantes, segundo IBGE.

1% da população global detém mesma riqueza dos 99% restantes, diz estudo

O QUE ELES ESTÃO FAZENDO AGORA

A ERA DOS ROBÔS E DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL:
Assim como pessoas compram seguidores, likes e parlamentares, os 1% agora querem, também, controlar a internet. E está muito difícil, para as grandes empresas de tecnologia como o Facebook, Google e Twitter, rastrear, todos os dias, perfis fakes e organizações criminosas na rede.

O Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, fez uma transmissão ao vivo ontem sobre as interferências nas eleições e os próximos passos para manter a integridade do processo democrático.

Ele mesmo disse: não será fácil.

Por este motivo precisamos atuar, agora, pra ontem.

Imagem: Market Realist

Para que diminuamos os estragos, é preciso que a população – usuários ativos com perfis reais – participem da “patrulha online” ao denunciar a presença de um robô na rede, de um perfil falso ou de uma mentira postada em sites, comentários, páginas e comunidades.

Sites de notícias: além da mídia tradicional (Rádio, Televisão e Jornais), hoje, diversos sites de notícias falsas são criados para alimentar posts no Facebook. São websites que não possuem assinatura de autor nos textos, registro da organização/domínio, localidade, fontes de pesquisas, provas e denúncias comprovadas ou referências bibliográficas sobre o tema abordado.

Eles servem, unicamente, para espalhar a desinformação. São estrategicamente controlados para postarem em harmonia com decisões de políticos por todo o Brasil.

Perfis falsos: muitos sem foto de rosto, não possuem amigos, posts pessoais e outras informações, mostram em seu histórico de uso da ferramenta que ficam o tempo todo comentando em sites sobre política. Espalham mentiras, interagem em páginas, incentivam discussões sem base e respeito algum, utilizando o discurso de ódio. Seja ele de direita ou de esquerda, o objetivo deles é de nos separar.

Grupos/Páginas no Facebook: é preciso sempre checar a veracidade das infromações postadas, das imagens sem fonte/autor da frase, dos links para sites não confiáveis e perfis dos membros que fazem parte deste grupos.

Vídeos: tanto no YouTube quanto no Facebook. Eles usam, geralmente, apenas o nome do canal, sem uma pessoa assinando o vídeo e nem fontes ou links de referência. Eles usam uma voz artificial ou apenas imagens em um vídeo editado.

Exibem debates, pronunciamentos de políticos e outros representantes que são cortados, editados e colocados com títulos diferentes, mudando totalmente o contexto de uma situação específica.

Outros, conhecidos como “influenciadores” na política, recebem dinheiro destes pilantras para atuarem com vídeos na internet, usando a própria imagem. É preciso ficar de olhos abertos. E no caso dos vídeo, acompanhar transmissões online ou vídeos completos dos eventos destas pessoas/canais, sem edições, sem cortes, para evitar a manipulação – literalmente.

INFORMAÇÃO GANHA RELEVÂNCIA NO IMEDIATISMO – AO VIVO

É melhor começarmos a atuar, agora, porque já passamos muito tempo “refletindo” sobre tudo isso.

[>] Faça parte do movimento. Curta a nossa página no Facebook e saiba como participar pela página de voluntários.

*O que inspirou o movimento 99% Brasil: https://other98.com/

*Links que serviram de consulta para escrever este artigo:
– Thousands Gather for Protests in Brazil’s Largest Cities – http://www.nytimes.com/2013/06/18/world/americas/thousands-gather-for-protests-in-brazils-largest-cities.html
– Lei anti-terrorismo é sancionada por Dilma: saiba quais são os danos para a democracia – https://medium.com/democratize-m%C3%ADdia/lei-anti-terrorismo-%C3%A9-sancionada-por-dilma-saiba-quais-s%C3%A3o-os-danos-para-a-democracia-744a3436c6ea
– Sininho confirma: Black Bloc é financiado – https://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/02/13/sininho-confirma-black-bloc-e-financiado
– Fazenda divulga Relatório sobre a Distribuição da Renda no Brasil – http://www.fazenda.gov.br/noticias/2016/maio/200bspe-divulga-relatorio-sobre-a-distribuicao-da-renda-no-brasil
– Estes são os brasileiros mais ricos de 2017, segundo a Forbes – http://exame.abril.com.br/negocios/estes-sao-os-brasileiros-mais-ricos-de-2017-segundo-a-forbes/
– A inacreditável concentração de renda e riqueza no Brasil – http://brasildebate.com.br/a-inacreditavel-concentracao-de-renda-e-riqueza-no-brasil/
– Mobilizações urbanas e ciberativismo: uma análise sobre as manifestações – http://portal.comunique-se.com.br/mobilizacoes-urbanas-e-ciberativismo-uma-analise-sobre-manifestacoes/
– Câmara derruba PEC que tentava limitar o poder de investigação do MP – http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/06/camara-derruba-pec-que-tentava-limitar-o-poder-de-investigacao-do-mp.html
– Polícia prendeu 2.608 nos protestos de junho – http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/policia-prendeu-2-608-nos-protestos-de-junho/
– Áudios mostram que partidos financiaram MBL em atos pró-impeachment – https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/05/27/maquina-de-partidos-foi-utilizada-em-atos-pro-impeachment-diz-lider-do-mbl.htm?cmpid=copiaecola
– Protestos de rua nas capas dos jornais do Brasil e do mundo – http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,protestos-de-rua-nas-capas-dos-jornais-do-brasil-e-do-mundo,157197e
– ‘Media’ e as manifestações de junho: controle e disputa – http://observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/_ed769_mediae_as_manifestacoes_de_junho__controle_e_disputa-2/
– How Twitter Plans to Counter Fake Accounts – http://marketrealist.com/2017/05/how-twitter-plans-to-counter-fake-accounts/

 

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