Mulheres Inspiradoras de 2017 e Minimanual do jornalismo humanizado

O Think Olga* divulgou esta semana uma lista de mais de 200 Mulheres Inspiradoras em 2017. A edição de 2017 foi feita com a esperança de que a lista possa ser um suspiro merecido neste ano desafiador, em que as mulheres, mais uma vez, revisitaram traumas causados por violência de gênero, enquanto seguem desprotegidas de um governo conservador que quer reduzir ainda mais seus direitos sexuais e reprodutivos. Veja a lista completa aqui: http://thinkolga.com/2017/12/13/mulheres-inspiradoras-de-2017/

Outra iniciativa bacana da ONG é a criação deste Minimanual de jornalismo humanizado, um material riquíssimo (e gratuito) com dicas para jornalistas e veículos que desejam limpar sua comunicação de preconceitos. São vários materiais, entre eles um com muita informação relevante sobre o aborto, em quais situações ele é legalizado no Brasil e traz dados preocupantes inclusive sobre mulheres grávidas que são vítimas de violência doméstica.

A necessidade de tratar o aborto como um assunto de saúde pública

A grande mídia sempre aborda o aborto como um processo traumático e muitas vezes coloca a mulher como sendo a principal responsável pela situação. O minimanual cita um dado da Pesquisa Nacional do Aborto de 2016 que mostra que 4,7 milhões de mulheres já fizeram aborto ao menos uma vez na vida, ou seja, uma em cada cinco mulheres aos 40 anos já fez pelo menos um aborto.

“A Pesquisa também revelou que o aborto é um evento comum da vida reprodutiva de mulheres de todas as classes sociais e níveis educacionais, mas as mulheres negras e indígenas, com menor escolaridade e que vivem no Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram taxas de aborto mais altas e, portanto, estão mais sujeitas aos riscos de um aborto ilegal e inseguro”.

Apesar de o aborto ser muito comum entre as mulheres, a legislação brasileira entende que a prática é um crime e e prevê três anos de prisão para mulheres que forem pegas abortando e até quatro anos para quem ajudou no processo. As exceções da legislação são: gravidez em decorrência de estupro; único meio de salvar a vida da mulher grávida; ou feto anencéfalo – sem cérebro.

Uma ação tramita no Supremo Tribunal Federal aproveitando o último dia 08 de março (dia da mulher) na tentativa de descriminalizar o aborto. No dia 23 de novembro uma outra petição foi adicionada em nome da estudante Rebeca Mendes Silva Leite, que pediu o direito de interromper uma gestação indesejada de maneira legal e segura, mas o STF negou o pedido.

Outros minimanuais humanizados do Think Olga:

– Pt. 1: Violência Contra a Mulher

– Pt. 2: Pessoas com deficiência

– Pt. 3: Racismo

– Pt.4: Estereótipos Nocivos

– Pt. 5: LGBT

Baixe o minimanual sobre aborto aqui: http://thinkolga.com/olga/wp-content/uploads/2017/12/Minimanual_pt6.pdf

* O Think Olga é uma organização sem fins lucrativos criada em 2013 com o intuito de fomentar o empoderamento feminino, além de criar esforços significativos de conteúdo reflexivo sobre igualdade de gênero e sobre a violência contra as mulheres no Brasil.

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