Desinformação de cada dia

Relação estreita entre a política e os meios de comunicação pode ser nociva para a democracia

Não é necessário aprofundar-se em teorias para perceber a parcialidade dos grandes veículos de comunicação. A posição política desses dita a forma como determinadas notícias serão apresentadas ao público e como outras serão indevidamente ocultadas.

De acordo com o Art. 2°, inciso I, do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, “A divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente de sua natureza jurídica – se pública, estatal ou privada – e da linha política de seus proprietários e/ou diretores”.

O jornalismo deveria se ater aos fatos e servir como intermediário, entre os três poderes e a sociedade. Porém, em um país em que os meios de comunicação estão centralizados nas mãos da elite, esse ideal torna-se cada vez mais distante.

Os laços estreitos entre o jornalismo e a política são demasiadamente evidentes na sociedade brasileira. E essa relação de “amigos” acaba prejudicando a própria democracia, a partir do momento em que os veículos de comunicação noticiam somente os fatos que são convenientes e deturpam os que fogem as suas respectivas ideologias.

Essa manipulação dos fatos pode ser facilmente encontrada em coberturas jornalísticas, realizadas por veículos parciais. Fotografar uma manifestação de poucas pessoas e dizer que representam a nação ou chamar todos os participantes de um protesto de desordeiros porque suas reivindicações vão contra os interesses da elite ou de alguns partidos políticos, exemplifica essa parcialidade.

A elite que detém o poder dos meios de comunicação apoia os partidos políticos que guardam os seus privilégios. Os políticos, por sua vez, fazem uso dessa arma para atingir seus opositores e se elevarem como heróis nacionais.

Entretanto, é preciso esclarecer que alguns governantes detêm seus próprios meios de comunicação, apesar dessa prática ser expressamente proibida pela Constituição de 1988.
Conforme o Art. 54, inciso II, alínea a os deputados e senadores não poderão “ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada”.

Para driblar a Constituição, alguns políticos colocam a empresa de comunicação no nome de terceiros e continuam sendo proprietários. A lei prevê uma punição a esses governantes, segundo o Art. 55, todos os deputados e senadores que infringirem as proibições estabelecidas no artigo 54, perderão o mandato.

A realidade é bem mais complexa que as normas. Fazendo uso de artimanhas, esses políticos continuam disseminando notícias falsas. As mesmas se reproduzem rapidamente e são encaradas como verdade, por conta da confiança que parte da sociedade tem em relação aos meios de comunicação tradicionais.

E como manter-se informado nesse cenário de desinformação? É inegável que essa troca de favores, entre a política e os veículos de comunicação no Brasil, dificulta o acesso a informação e impede que o cidadão exerça completamente o seu direito de participar das decisões políticas.

Talvez esse seja o objetivo de quem está no poder, silenciar quem não sabe o que está acontecendo de fato com o país e continuar disseminando discursos forjados. Essa postura nociva da mídia é uma grande ameaça à democracia. Nesse contexto, resta ao brasileiro tentar construir uma percepção, através de fragmentos dispersos da verdade.

Via SOS Imprensa
Projeto de extensão da Universidade de Brasília (UnB)

Campus Darcy Ribeiro
Faculdade de Comunicação (FAC)

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